Já vem de há uns anos a esta parte que no ideal futebolesco do
nosso quintal desportivo o braguinha alberga o status de 4º grande Português, o
que eu acho de todo falso, mentiroso e até mesmo ofensivo para mim como
Benfiquista.Em Portugal sempre houveram dois e só dois grandes e se é
para elevar os feitos dos arsenalistas então que se lhes atribua o 3º posto. Não, não quero com isto cair no mais que gasto cliché do “O botafogo do lumir
(vulgo sporting) já não é grande” não mesmo, não é por ai. Acompanhem-me:
Imaginem agora que em mais
um daqueles fenómenos do Entroncamento nascem lá numa laranjeira três frutos com quatro,
cinco e dez quilos respectivamente, laranjas com essa tonelagem serão sempre grandes mas uma
tem dez quilos… dez!!! Nós por cá quando olhamos para a capa de um jornal desportivo,
quando analisamos o share de audiência dos jogos, quando partilhamos conversas na tasca da
esquina, quando ouvimos falar dos preços dos bilhetes para certos jogos, quando ouvimos falar
das assistências de certos jogos, quando ouvimos os cânticos das claques o que é que sobeja em
comum??? É não é?
E porquê? Porque é maior. Porque é “O MAIOR”. Mas tudo tem
um preço.
Na segunda-feira passada (por motivos que não importa
mencionar) fiz algo que por norma não faço. Recostei-me no sofá a ver um tal de
4º (3º para mim) Grande de Portugal contra o Guimarães e a primeira coisa que
me saltou à boca foi a interrogação; “Mas foi com estes gajos que perdemos
há 15 dias?”. Foi? Não foi, não pode ser. Onde está a garra? O comer a relva?
As marcações apertadas? O contra ataque rápido? Não está. Não está porque aquele jogo era só contra um grande.
Porque uma coisa é ser um dos três grandes, outra é ser o Benfica.
E é nessa necessidade de ser maior que
vou entrar na Catedral na sexta e espero que os Homens que vestem o manto
sagrado nunca a tirem da mente durante os 90 minutos seguintes. Porque para o Benfica ganhar mas basta ser tão bom como os
outros. Tem de ser melhor. Tem de ser maior. É o preço a pagar pelo que somos.
É o preço que gostamos de pagar por sermos quem somos. Porque mesmo com pintos, com givanildos, com proenças, com frutas, com o
que quer que for, nem que seja com uma cruz ás costas, na sexta ao final da
noite quero ter mais uma razão para poder dizer:
O Benfica não é um grande. O Benfica é maior.
Deixem passar o maior de Portugal, o maior de Portugal, o
maior de Portugal.
